Alerj ignora protestos e vota pela libertação de deputados presos

Os deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Melo (na foto) e Edson Albertassi, todos do PMDB, se entregam à Polícia Federal (PF) após terem prisão decretada (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Em meio a protestos do lado de fora, ao som de bombas e cheiro de gás lacrimogêneo, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu, por 39 votos a 18 votos, além de uma abstenção, pela libertação do presidente da Casa, Jorge Picciani; do líder do governo, Edson Albertassi; e de Paulo Melo, ex-presidente da Alerj, todos do PMDB. Apenas quatro deputados puderam falar, dois a favor e dois contra.

O primeiro a falar na sessão, nesta sexta-feira (17), foi André Correa (DEM), a favor da libertação, que citou o artigo da Constituição que garante a votação pela casa legislativa de origem sobre a prisão de um parlamentar. “Eu não quero neste país que se rasgue a Constituição”, bradou Corrêa.

O segundo a falar, pela manutenção da prisão, foi o deputado Luiz Paulo (PSDB), que lembrou justamente a decisão do TRF2 ter sido unânime e que as investigações vão continuar. “O que se está decidindo aqui é se a decisão do Judiciário deve ser corroborada pelo Parlamento”, disse Luiz Paulo.

Em seguida, foi a vez do deputado André Lazaroni (PMDB), pela revogação da prisão, também citando o disposto no artigo 112 da Constituição Estadual. “Não poderão ser presos [deputados], salvo em flagrante de crimes inafiançáveis. A história nos julgará”, disse Lazaroni.

O último a falar, pela manutenção da prisão, foi o deputado Marcelo Freixo (PSOL). Ele frisou que a decisão, qualquer que fosse o resultado, seria política. “A denúncia é muito grave. De corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nós seremos cobrados nas ruas”, disse Freixo.

Picciani, Paulo Melo e Albertassi foram presos ontem (16), por determinação unânime do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), após terem sido denunciados na Operação Cadeia Velha, que investiga a corrupção entre parlamentares e empresas de ônibus, com recebimento de propinas.

Pouco antes, a Comissão de Constituição e Justiça da Alerj já havia aprovado, por 4 votos a 2, a libertação dos deputados, por entenderam que a Constituição garante a independência dos poderes e que foi uma investigação inconclusa. 

Votaram pela soltura dos deputados

  • Andre Correa
  • André Ceciliano
  • André Lazaroni
  • Átila Nunes
  • Chiquinho da Mangueira
  • Christino Áureo
  • Cidinha Campos
  • Coronel Jairo
  • Daniele Guerreiro
  • Dica
  • Dionisio Lins
  • Fabio Silva
  • Fatinha
  • Figueiredo
  • Filipe Soares
  • Geraldo Pudim
  • Gustavo Tutuca
  • Iranildo Campos
  • Jair Bittencourt
  • Janio Mendes
  • João Peixoto
  • Luiz Martins
  • Marcelo Simão
  • Marcia Jeovani
  • Marcio Canella
  • Marcos Abrahão
  • Marcos Muller
  • Marcus Vinicius
  • Milton Rangel
  • Nivaldo Mulim
  • Paulo Ramos
  • Pedro Augusto
  • Renato Cozzolino
  • Rosenverg Reis
  • Silas Bento
  • Thiago Pampolha
  • Tio Carlos
  • Zaqueu Teixeira
  • Zito

Votaram pela manutenção das prisões

  • Benedito Alves
  • Carlos Macedo
  • Carlos Minc
  • Osorio
  • Dr. Julianelli
  • Eliomar Coelho
  • Enfermeira Rejane
  • Flávio Bolsonaro
  • Flávio Serafini
  • Gilberto Palmares
  • Luiz Paulo
  • Marcelo Freixo
  • Marcio Pacheco
  • Martha Rocha
  • Samuel Malafaia
  • Wagner Montes
  • Waldeck Carneiro
  • Wanderson Nogueira
  • Zeidan

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