Ex-prefeito de Silva Jardim é suspeito de integrar “organização criminosa”, diz MP

Associação criminosa, corrupção passiva, fraude a licitação. Esses são alguns crimes que resultaram na prisão do deputado eleito, e ex-prefeito de Silva Jardim, Wanderson Gimenes Alexandre (foto) na sexta-feira (30) em Rio Bonito. O ex-prefeito, segundo denúncia do Ministério Público, por meio do Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal (GAOCRIM) comanda uma quadrilha que frauda licitações em troca de propina.

No mesmo dia, também foram presos: Roni Luiz Pereira (presidente da Câmara de Silva Jardim), Claudio Renato Rocha, ex- assessor chefe do gabinete da prefeitura e Jorge Luiz Araújo, servidor público que integra a comissão de licitação. Ao perceber a chegada de policiais a sua casa para prendê-lo, Roni tentou destruir seu telefone celular.

“A organização criminosa teria montado um esquema de arrecadação de vantagens ilícitas em Silva Jardim”, disse na decisão que fundamentou a prisão Wanderson, o desembargador Flávio Marcelo de Azevedo Horta, relator da 2ª Câmara Criminal do TJ-RJ.

A prisão do ex-prefeito se deu por acordo de delação premiada entre o empresário Paulo Roberto de Souza Cruz, dono da Compilar Empreendimento e Prestadora de Serviços, e o Ministério Público (MP). Paulo Roberto estava preso em São Gonçalo, mas devido ao acordo com o MP encontra-se livre.

Segundo a delação , ele e o ex-prefeito tinham um acordo de pagamento de propinas com “doações não declaradas de campanha por candidatos a cargo eletivo”. E uma vez no poder, sua empresa seria beneficiada com contratos para prestação de serviços de iluminação pública ou eventualmente instalação de sonorização em eventos municipais. Em contrapartida, o prefeito receberia 10% de todo contrato realizado. Segundo a delação de Paulo Roberto, os suspeitos teriam pedido, tão logo a Compilar fosse contratada R$ 150 mil em propina mais a comissão de 10% em cada nota que viesse a ser emitida em favor da empresa. Foi apurado que Wanderson e Paulo Roberto teriam tido um encontro, na casa do ex-prefeito, para acertar o modo do pagamento de uma dessas propinas. Wanderson teria pedido que o pagamento fosse feito em “no máximo duas parcelas”, assim como valores referentes à propina fossem entregues diretamente a Claudio Renato e Roni, “seus homens de confiança”. No organograma do bando, Roni ocupava o segundo escalão, logo baixo de Wanderson. Era dele a função de usar sua influência política para aprovar projetos favoráveis ao bando. Um deles, seria a alteração das regras de contribuição de iluminação pública (CIP), ano passado, para favorecer a Compilar.

Ao perceber a chegada de policiais a sua casa para prendê-lo, Roni tentou destruir seu telefone celular.Foto: Reprodução/TV globo

Já a participação de Claudio Renato, assessor de Gabinete da prefeitura, segundo o MPF, era viabilizar as contratações ilícitas por meio da comissão de licitação e demais órgãos da prefeitura. Coincidentemente, tanto Roni como Claudio, “figuram como sócios em diversas distribuidoras de medicamentos e farmácias (Drogarias Alexandre) na Região dos Lagos”, cujo proprietário é o ex-prefeito.

Considerado membro de “terceiro escalão” da “organização criminosa” , Jorge Luiz de Araújo seria peça chave no esquema. Nomeado pelo ex-prefeito, ele era membro da comissão de licitação para desempenhar a estratégica função de auxiliar de comissão e pregoeiro substituto. A sua função seria dar aparência de legalidade nos certames licitatórios direcionados para favorecer a Compilar.

As investigações do MP não esclarecem quando o esquema começou a ser posto em prática, se no primeiro mandato de Wanderson _2012/2016 – ou durante os pouco mais de um ano de seu segundo mandato, quando se desincompatibilizou do cargo no início deste ano para concorrer a deputado estadual ao pleito de 2018.

Entretanto, o MP tem certeza de que o ex-prefeito servia-se do cargo para cooptar empresários dispostos a pagar propina em troca de contratos com a Prefeitura de Silva Jardim. Também há indícios que a organização teria atuado, da mesma forma em outros municípios como Arraial do Cabo, Iguaba Grande, Itaboraí, Cachoeira de Macacu, Rio Bonito, Nova Friburgo, Araruama e Quissamã.

Em conversas realizadas pelo aplicativo Whatzapp, o MP descobriu como Wanderson, Claudio Renato e Paulo Roberto combinavam as licitações, porém as evidências ficaram mais claras contra o bando, depois que o MP apurou , por iniciativa do ex-prefeito, a nomeação de Paulo Sergio Fonseca, “homem de confiança” de Paulo Roberto, para ocupar cargo em comissão na Secretaria Municipal de Obras. Vinte dias depois de nomeado, Paulo Sergio teria subscrito um termo de referência que lastreou uma licitação para favorecer a Compilar. Há evidências que Paulo Sergio também recebia, segundo o MP, R$ 2 mil mensais de Paulo Roberto.

Caso sejam condenados, Wanderson, Roni, Claudio Renato, e Paulo Sergio poderão pegar quatro anos de reclusão.

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