Homenagem ao amor e a vida

“Todas as Mulheres do Mundo” tem seu roteiro livremente inspirado na obra do diretor Domingos de Oliveira

A Globo anunciou que deu largada na produção da série “Todas as Mulheres do Mundo”; assim as gravações já começaram. A ideia não é exatamente nova e faz algum tempo que está nos planos da emissora. Na verdade, os episódios são inspirados no longa-metragem dirigido pelo saudoso Domingos de Oliveira em 1966. Agora a ideia foi colocada em prática também como uma homenagem a Domingos que morreu em março deste ano.

O escritor e roteirista Jorge Furtado, Martha Nowill, Emílio Dantas, a diretora artística Patrícia Pedrosa e Matheus Nachtergaele clicados num dos intervalos das gravações de “Todas as Mulheres do Mundo” / João Miguel Jr-RG

Como tudo começou com um filme, o melhor é saber um pouco mais sobre esse sucesso do cinema nacional. Estreou em 1966 e teve o roteiro baseado em contos de Eduardo Prado. O longa conta a história do jornalista Paulo (Paulo José) e seu amigo Edu (Flávio Migliaccio) que se reencontram depois de um tempo e Paulo conta a Edu as suas aventuras com uma mulher chamada Maria Alice (Leila Diniz), casada com Leopoldo (Ivan de Albuquerque). Seguindo a narrativa de Paulo, ele e Maria Alice se conhecem durante uma festa de Natal em seu apartamento. Eles se apaixonam à primeira vista, mas ela é casada. Mesmo assim, Paulo investe na moça e ela deixa o marido e passa a viver com Paulo em seu apartamento. Acontece que Paulo vivia rodeado por belas mulheres e a nova vida de “casado”, aos poucos, se torna entediante e ele sente saudade dos amigos e das conquistas de solteiro. Paralelamente, Maria Alice também não consegue esquecer totalmente do ex-marido, Leopoldo, por quem nutre um enorme carinho. O filme fez grande sucesso quando lançado e ganhou prêmio no Festival de Cinema de Brasília, no ano de 1966. No elenco estavam também Isabel Ribeiro, Marieta Severo, Joana Fomm, Hildegard Angel, entre outros.
A série proposta pela Globo é escrita por Jorge Furtado com Janaína Fischer, livremente inspirada na obra de Domingos Oliveira, tem a direção artística de Patricia Pedrosa e pretende celebrar o amor e a vida. A poesia, o humor e a genialidade de saudoso diretor dão o tom à comédia romântica que está em fase de gravação. A série faz uma homenagem à obra de Domingos, que morreu em março de 2019, aos 82 anos. Com 12 episódios, é uma releitura – adaptada aos dias de hoje – com reflexões filosóficas sobre a vida, o amor e a morte com um humor inteligente e refinado, características marcantes do universo do autor, diretor e dramaturgo.
“‘Todas as Mulheres do Mundo’ é uma série sobre o amor, sobre liberdade. Domingos era um poeta da paixão. Era apaixonado pelo amor, pela vida e pela arte, e apresentava sua visão de mundo, sua originalidade, em tudo que produzia. A série será uma oportunidade para todos os brasileiros conhecerem a poesia de um grande artista”, afirma o autor Jorge Furtado, que escreve a obra com Janaína Fischer.
A cada episódio, novos personagens e participações especiais contam uma nova história de amor à primeira vista. Além de autênticas, inteligentes e livres, as lindas mulheres protagonistas dessa série têm em comum o fato de se relacionarem com o mesmo homem, uma de cada vez. Esse homem é Paulo (Emilio Dantas), um arquiteto apaixonado pela liberdade; pela poesia; e pelas mulheres. Por todas as mulheres do mundo. Paulo tem a paixão como combustível para a vida e se envolve de corpo e alma em cada uma das relações que vivencia. Mas também sofre profundamente quando é abandonado por elas. Por todas elas.
A diretora artística Patrícia Pedrosa explica que a série é uma antologia de histórias de mulheres e suas diferentes formas de amar e o que liga essas mulheres é o fato de se relacionarem com o mesmo homem em algum momento de suas vidas e, por coincidência, o abandonarem. Patrícia Pedrosa empresta seu olhar feminino para a obra e fez questão de montar um time com várias lideranças femininas, como na produção, cenografia, figurino, produção de arte e caracterização.
A obra ganhou histórias e personagens inéditos – criados exclusivamente para o projeto – e contou com a valiosa contribuição do próprio Domingos de Oliveira, que ainda em vida leu roteiros e fez sugestões ao texto escrito pelos autores. Oito textos originais do dramaturgo foram usados como referência: “Todas as Mulheres do Mundo”; “Edu Coração de Ouro”, “Amores”; “Separações”; “Os Inseparáveis”; “A Primeira Valsa”; “BR 716”; e “Largando o Escritório”.
A influência do saudoso diretor também se reflete no elenco. Além de Emílio Dantas, Sophie Charlotte (considerada uma das “musas” do dramaturgo), Matheus Nachtergaele, Martha Nowill, Maria Ribeiro e Lilia Cabral fazem parte do casting. Assim como atores que trabalharam ou conviveram com Domingos Oliveira, como a ex-mulher Priscilla Rozenbaum e a filha, a também atriz Maria Mariana. Em meio a grandes nomes, se destaca a escolha proposital de atrizes menos conhecidas do grande público com a intenção de gerar, também na audiência, um amor à primeira vista.
Integralmente gravada no estado do Rio de Janeiro, “Todas as Mulheres do Mundo” tem o bairro de Copacabana, reduto de Domingos Oliveira, como o “coração” das cenas. Ao todo, 71 locações externas estão sendo usadas pela equipe de produção, representando 60% das gravações. A produção roda sequências também na Região Serrana do Rio de Janeiro e em cenários dos Estúdios Globo.
A série “Todas as Mulheres do Mundo” ainda não tem previsão de estreia. Vale a pena esperar e conferir.

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