Prefeita cassada de Silva Jardim pagou verbas rescisórias do marido e de dois secretários ignorando fila de espera

“Quando notei o valor na minha conta entrei em contato com servidores pra que me orientem quanto ao estorno, pois sabedora que sou do planejamento quanto ao pagamento dos funcionários, não concordo com esse pagamento fora de hora”. A declaração é da ex-prefeita de Silva Jardim, Maria Dalva do Nascimento, a Cilene, que deixou o cargo há um mês, cassada que foi pela Justiça Eleitoral. Ela disse isto através das através das redes sociais, após a veiculação da matéria Prefeita cassada de Silva Jardim não precisou esperar muito para receber: interino mandou pagar mais de R$ 70 mil a ela, veiculada na semana passada.

Maria Dalva Silva do Nascimento

O “fora de hora” em questão seria o fato de centenas de pessoas demitidas da Prefeitura estarem aguardando o pagamento de suas verbas rescisórias – algumas há mais de dois anos – problema que o marido da ex-prefeita e um casal aliado não terão, pois, a exemplo de Cilene, também receberam suas rescisões.

Documentos oficiais disponibilizados aqui revelam que Jonas Moraes dos Santos – marido da ex-prefeita – recebeu o total líquido de mais de R$ 26 mil em maio deste ano; Luiz Evandro Macedo de Barros Junior, R$ 15.964,20 líquidos e Rhana Viana Braga de Souza, também líquidos, R$ 16.911,76, em quitações feitas em agosto, dois meses antes da saída de Cilene do cargo.

Pelo que está nos documentos, o marido de Cilene recebeu dois pagamentos em maio. Um através da matrícula 00026654-3, de secretário de Promoção Social, no valor de R$ 19.289,11, rescisória calculada sobre um salário de R$ 9.298,46 brutos, e outro com valor líquido de R$ 7.169,63, referente à matrícula 00026654-4, de chefe de Gabinete.

Ainda de acordo com os documentos, Luiz Evandro recebeu o total líquido de R$ 7.169,63 como secretário de esportes, através da matrícula 000474-7, e R$ 8.794,57 líquidos por meio da matricula 000474-6, como subsecretário de Esportes, enquanto Rhana ganhou R$ 14.990,53 com a matrícula 00038270-12, como chefe de Gabinete, além R$ R$ 1.911,76 líquidos como subsecretária de Gabinete, 00038270-12.

Confiança traída –Segundo gente do próprio governo, o prefeito interino Jaime Figueiredo realmente não determinou o pagamento de mais de R$ 70 mil à ex-prefeita, mas poderia ter evitado isto se mandasse sua equipe conferir a folha de pagamento dos salários de outubro antes da assinatura eletrônica, ao contrário de ter feito o que ele próprio disse em nota, confiado “na boa-fé e na razoabilidade que deve nortear a coisa pública”.

De acordo com uma fonte da Prefeitura, o pagamento de R$ 70.349,06 líquidos feito à Maria Dalva, saiu logo no primeiro lote, quando foram liberados os salários dos servidores e efetivos. “Foi embuchado na primeira leva. Isto por si só já diz alguma. Os secretários e outros ocupantes de cargos comissionados só receberam depois”, confirmando que para conferir quem estava recebendo o que, seria mesmo necessário abrir os arquivos, analisando vencimento por vencimentos.

O espaço está aberto para manifestação da ex-prefeita Maria Dalva Nascimento.

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