Pressão contra PPP de Rio das Ostras rendeu propina ao PSC

Líder nacional do partido teria recebido R$ 2,750 milhões para “influenciar” o prefeito

O jogo duro feito pelo prefeito Alcebíades Sabino contra a Parceria Público Privada firmada sete anos antes com a Prefeitura de Rio das Ostras rendeu, a partir de 2013, um bom dinheiro ao Partido Social Cristão. A revelação consta da delação premiada feita ao Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava-Jato pelo ex-diretor regional da Odebrecht, Renato de Medeiros. Segundo ele, a empresa viu no pastor Everaldo Dias Pereira, do comando nacional do PSC, uma liderança capaz de influenciar positivamente, em favor da empresa, junto ao então prefeito da cidade, que era filiado ao partido. De acordo com o delator, em abril de 2013 Sabino surgiu com um discurso contrário a PPP e em troca da influência de Everaldo foram feitos pagamentos no total de R$ 2,750 milhões, dinheiro que, segundo Renato, foi repassado entre agosto de 2013 e junho de 2014.

Esse, entretanto, não foi o único valor repassado ao pastor Everaldo Dias. O ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Luiz Ayres da Cunha, e o ex-diretor Renato de Medeiros afirmaram que em 2014 o líder nacional do PSC recebeu uma doação não contabilizada no valor de R$ 6 milhões da empreiteira. Além disso, o próprio Alcebíades Sabino é citado na Lava-Jato como recebedor de dinheiro não contabilizado: também em delação ao Ministério Público Federal no âmbito da Lava-Jato, outro ex-diretor da Odebrecht, Leandro Andrade Azevedo afirmou que o ex-prefeito de Rio das Ostras teria recebido repasses ilegais no montante de R$ 195 mil para a campanha eleitoral, dinheiro que teria sido entregue ao secretário de Obras da cidade, Wayner Fajardo, isto para a campanha de 2008.

A relação de Sabino com a Odebrecht começou em 2004, último ano do segundo mandato dele como prefeito. Em setembro daquele ano Leandro representou a empresa na assinatura de um contrato valor de R$ 106.334.548,44 com a Prefeitura de Rio das Ostras, o que ocorreu no dia 4 de setembro, para a realização de obras de saneamento. O contrato – que teve um empenho de R$ 14.749.232,35 feito no orçamento de 2004 – foi firmado com a empresa CBPO Engenharia, braço do Grupo Odebrecht e as obras contratadas foram a construção de um emissário submarino com 3.888 metros de tubulação, construção de uma estação de tratamento de esgoto e elevatórias.

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