Silvio de Abreu, um dos principais autores da teledramaturgia brasileira

Silvio de Abreu é considerado hoje um dos melhores autores de novelas do Brasil. Em 1995 o Brasil parou para ver os capítulos finais de “A Próxima Vítima” / João Cotta-RG

Há 41 anos na Rede Globo, Silvio de Abreu é um dos maiores autores da TV brasileira. Já viu o Brasil parar para assistir ao último capítulo de uma novela sua, caso de “A Próxima Vítima”, trama de 1995; ao mesmo tempo em que teve que tirar uma novela do ar antes do tempo previsto. Apesar de ter toda essa bagagem, ele admite que não faz a menor ideia de como o público vai reagir a cada novo trabalho. “A gente faz o melhor que pode e reza para dar certo. Porque em uma novela tudo é importante: o autor, o diretor, os atores, a relação do ator com o personagem e uma boa escalação. Mas um elenco maravilhoso também não garante uma boa audiência”, reflete.

Com a experiência que faz dele um veterano, Silvio explica a relação entre qualidade e sucesso na teledramaturgia. “Existe uma comunicação entre novela e público que faz com que eles aceitem ou rejeitem uma coisa independente da sua qualidade. Qualidade e sucesso não têm nada a ver uma coisa com a outra. Tem muita coisa ruim que faz sucesso e muita coisa boa que não faz”. E cita algumas mudanças que tem observado no universo da dramaturgia. “Antes o mocinho não precisava fazer nada, só por ele ser mocinho todo mundo já gostava dele. Hoje em dia o personagem precisa ter atitude”. E complementa: “A novela tem que ir se renovando. Esses truques de folhetim hoje em dia não funcionam mais. Quer dizer, isso é o que eu aprendi até agora. Até esse minuto”.

Ele lembra, por exemplo, que a sua primeira novela na Globo, “Pecado Rasgado” (1978), não foi uma experiência bem-sucedida. E credita o fraco desempenho da novela ao seu desejo de implantar um novo gênero, a comédia, numa época em que as novelas eram basicamente dramáticas, e à maneira como o diretor interpretava o que ele escrevia. Menos de dois anos depois ele voltou a Globo, convidado por Cassiano Gabus Mendes, para assumir a novela “Plumas e Paetês” quando Cassiano teve um infarto. Mais de 100 capítulos já tinham sido exibidos sem que Silvio tivesse assistido a nenhum deles. Para dar conta do novo desafio, fez um mutirão: se dividiu com a mulher para, em dois dias, ler todos os capítulos da trama que já tinham ido ao ar. Foi quando Silvio começou a ter liberdade para fazer a comédia que gostaria. 

Atualmente Silvio de Abreu é o diretor de Dramaturgia Diária da Rede Globo.

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