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Grupo de Witzel planejou usar dinheiro desviado da Saúde para comprar a Rádio Tupi: retorno viria de repasse à Prefeitura de Caxias, aponta investigação do MPF, com base em delação de ex-secretário

Por Cezar Guedes em 01/09/2020 às 00:05:06
Os repasses feitos somaram R$ 101,5 milhões. A última transferência foi de R$ 35 milhões e aconteceu em abril

Os repasses feitos somaram R$ 101,5 milhões. A última transferência foi de R$ 35 milhões e aconteceu em abril

O governo estadual repassou ao município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense R$ 101,5 milhões e haveria um compromisso de devolução de boa parte dos recursos para que o grupo do governador Wilson Witzel pudesse comprar a Rádio Tupi – uma emissora de grande audiência no Rio de Janeiro -, e a transação se daria através de firmas do empresário Mário Peixoto, preso desde maio. O relato disso está nas folhas 100, 101 e 102, de uma petição de 403 páginas, na qual o Ministério Público Federal apresentou ao Superior Tribunal de Justiça pedidos prisão e busca apreensão contra Witzel e várias pessoas a ele ligadas.

No documento ao qual jornaldosmunicipiosrj.com.br teve acesso, o MPF abre assim a parte relacionada às ações envolvendo administração municipal de Duque de Caxias: "? a organização criminosa instalada no governo do estado do Rio de Janeiro viu no município de Duque de Caxias oportunidade para o desvio de verbas públicas por meio de repasses do Fundo Estadual de Saúde para o Fundo Municipal de Saúde".

A revelação do esquema envolvendo o governo estadual e a Prefeitura de Duque Caxias foi feita pelo ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, em colaboração com o MPF. Segundo ele, havia um acordo entre o governador e o prefeito Washington Reis, para que o estado repassasse R$ 100 milhões ao município. Edmar contou que em novembro de 2019 foi informado que deveriam ser repassados R$ 50 milhões e que no mês seguinte teve uma reunião com Witzel que recomendou a transferência.

"Na referida reunião, o governador Wilson Witzel e o então secretário Lucas Tristão deixaram claro que o município de Duque de Caxias havia sido escolhido pelo grupo criminoso em razão da proximidade do empresário Mário Peixoto com o prefeito Washington Reis", diz um trecho do documento do MPF, concluindo que "a empreitada criminosa ainda tinha outro objetivo escuso: possibilitar a aquisição da Rádio Tupi pelo grupo, como forma de exponenciar o potencial político da organização criminosa para as futuras eleições".

Proximidade com o prefeito – Em sua delação Edmar contou "que, além de pedir os R$ 50.000.000,00 restantes, Witzel e Tristão explicam a importância do repasse para o governo, informando que o valor retornaria para o grupo para a compra da Radio Tupi, que teria um enorme potencial político para o grupo para as futuras eleições; que Witzel e Tristão explicaram que a compra se daria por meio de alguma das empresas de Mário Peixoto e que o município de Caxias foi escolhido em razão da proximidade deste com Washington Reis".

Nos seus relatos ao MPF Edmar Santos afirmou não saber se a emissora de rádio foi vendida realmente ao grupo do governador, mas há registros de transferências de valores da Secretaria de Saúde à Prefeitura de Duque de Caxias, em repasses que somam exatamente R$ 101.598.046,53.

De acordo com o que foi apurado os repasses foram de R$ 1.836.650,83 em março de 2019, R$ 1.653.621,60 em abril, R$ 486.622,52 em maio, R$ 1.491.988,54 em junho, R$ 1.279.744,49 em julho, R$ 982.162,92 em agosto, R$ 973.146,92 em setembro, R$ 973.146,92 em outubro, R$ 3.171.194,18 em novembro, R$ 50 milhões em dezembro, R$ 3.742.344,12 em março deste ano e R$ 35.007.423,49 em abril.

*O espaço está aberto para manifestação do prefeito de Duque de Caxias, do governador Wilson Witzel e da direção da Rádio Tupi.

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