Demissão de professores chama atenção de Sindicato em Macaé

Por Cezar Guedes em 18/01/2021 às 21:30:43
Professores foram demitidos em massa em unidades de ensino particular. Foto: Divulgação

Professores foram demitidos em massa em unidades de ensino particular. Foto: Divulgação

A demissão em massa de professores da rede privada de ensino chamou a atenção do Sinpro - Sindicato de Professores de Macaé e Região. Por conta da pandemia de Covid-19, os docentes de todo o País tiveram que se reinventar da noite pro dia.

Segundo o Sinpro, os professores tiveram que transformar telas de computadores em quadros e salas de estar em salas de aula. Além do planejamento das aulas, precisaram desenvolver apostilas e se adaptar a uma linguagem até então desconhecida para muitos deles, a on-line. O distanciamento entre professor e aluno faz com quem ensina não avalie bem a aprendizagem.

Durante a pandemia da Covid-19, professoras e professores utilizaram sua própria internet, aumentando significativamente os gastos com luz, água, telefone, cafezinho, papel, entre outras coisas que, até então, ficavam sob a despesa das unidades escolares. Ainda é preciso levar em conta que os profissionais utilizaram equipamentos próprios e que muitas vezes não tinham capacidade para comportar os sistemas ou sobrevida técnica para inúmeras aulas a fio.

Ainda de acordo com o Sinpro, "raras foram as escolas que deram suporte técnico e financeiro para que os docentes pudessem enfrentar esta nova realidade. Mas a pressão, a exigência e incontáveis reuniões cobrando plano de aulas e resultados aconteciam diariamente".

O sindicato alerta que somente em uma única escola particular de Rio das Ostras, 11 profissionais de educação foram demitidos. Essas pessas, de acordo com o sindicato, orientou os demitidos sobre suas as rescisões antes que assinassem para que não fossem para rua sem justa causa.

Segundo Guilhermina Rocha, presidente do Sinpro Macaé e Região, a justificativa de falência econômica para demitir professores não mostra a realidade, já que enquanto continuavam recebendo as mensalidades, tiveram algumas contrapartidas para diminuir seus gastos.

"Os donos de escolas foram beneficiados com a Medida Provisória 14020/2020, que regulamentou o pagamento emergencial com recursos da União como medida de preservação dos empregos durante a Pandemia do Coronavírus. Além disso, não tiveram prejuízo com pagamento de contas de água e luz, nem com compra de papel, cafezinho, diminuindo significativamente outros gastos, como os impressos e os de secretaria. Se há problemas econômicos foi por má gestão. Nossos professores não podem se responsabilizar", contou.

Guilhermina lembra lembra que muitos professores que foram atendidos pela Lei 1420/2020 que tiveram contratos suspensos ou salários reduzidos têm direito à estabilidade no emprego pelo mesmo período. Por isso que o Sinpro pede que seja analisado antes de assinar a rescisão para avaliar se foi justa causa ou não.

"Os estabelecimentos de ensino tiveram apoio governamental, assim como outros setores da economia, ou seja, dinheiro público, como forma de manter os postos de trabalho e, consequentemente, não piorar a economia. A demissão em massa dos professores, além de ser medida que vai contra a legislação, encerrando a estabilidade provisória advinda com a pandemia, caracteriza a falta de compromisso do setor com a recuperação econômica, um verdadeiro tiro no pé. Precisamos lutar cada vez mais para valer a lei e o bom senso, na medida em que a manutenção dos empregos beneficia toda a sociedade", relatou o coordenador do Departamento Jurídico do Sinpro, Fábio Diniz.
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