Prefeito de Itaboraí vai ter que explicar quanto pagou por "show" de pastor que atacou religiões de matriz africana

Por Cezar Guedes em 21/05/2022 às 10:11:25

Mantido em segredo até agora pela Prefeitura de Itaboraí, o cachê pago pela apresentação do pastor evangélico Felipe Valadão ocorrida na noite de anteontem (19) durante evento comemorativo dos 189º aniversário do município, será questionado na Justiça, com pedido para que o prefeito Marcelo Delalori (foto) seja responsabilizado e faça o ressarcimento dos cofres públicos do valor desembolsado pela municipalidade. É que durante o que o povo evangélico chama de pregação, Felipe atacou adeptos da Umbanda, chamando-os de "endemoniados".

Representação nesse sentido será encaminhada à Justiça na próxima semana, mas, paralelamente a isso, o relator da CPI da Intolerância Religiosa, na Assembleia Legislativa, Átila Nunes (PSD) anunciou que acionar o Ministério Público para que o uso de dinheiro público seja investigado.

"Avisa aí ó a esses endemoniados de Itaboraí que o tempo da bagunça espiritual acabou. Pode matar galinha, pode fazer farofa, pode fazer o que você quiser. Ainda digo mais, prepara ver muito centro de Umbanda sendo fechado na cidade", afirmou o pastor que arrematou com uma frase que soou como elogio ao prefeito contratante: "Aquele espírito maligno de roubalheira na política acabou".

Em nota a Comissão de Povos Tradicionais de Terreiros de Itaboraí afirmou que "em sua fala, o pastor agride de maneira vil, desrespeitosa e ameaçadora à comunidade religiosa do Candomblé e da Umbanda nesta cidade", e completa: "O Deus que conhecemos não compactua com sua megalomania, loucura e arrogância".

Na nota a comissão destaca que "o ódio religioso promovido e financiado por Itaboraí precisa ser investigado", e que preparou "uma representação ao Ministério Público contra o autointitulado pastor e contra o prefeito de Itaboraí, que patrocinou o show de horrores com dinheiro público".

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